"A covardia é a mãe da crueldade"

Eu sou uma mulher bonita, inteligente, culta, bem humorada e que não consegue manter nenhum homem.

Esse último doeu. 

Eu não saía com ele pelo sexo. Não era nem de longe (nem de perto) o melhor sexo do mundo. Não falo isso por despeito, cheguei a comentar isso com uma ou duas amigas quando comecei a sair com ele. Eu saí com ele por ele ser um cara bonito, inteligente e que me divertia bastante.

Tinham marcas nas costas dele. Quando eu vi, incrivelmente não fiz escândalo. Não tive vontade de fazer. Nem brigar eu briguei. Simplesmente disse que vi e pedi que ele me levasse de volta pra casa. 
Tive um enjôo muito forte, muita vontade de vomitar. No carro, tive vontade de quebrar tudo, de bater nele, de quebrar o GPS novinho que ele tinha acabado de comprar, vontade de que ele perdesse a direção do carro e batesse (batida feia mesmo). Tive esses sentimentos por mais ou menos uns 20 segundos. Depois passou. Fiquei calma. Bem calma.

Saí do carro sem quase olhar pra ele e sem me despedir. Ele arrancou logo em seguida, sem que eu tivesse entrado no prédio nem nada.

Não sei o que passou ou passa pela cabeça dele.
Se ele ficou com raiva da pessoa que deixou as marcas.
Se depois ele ficou triste por ter me perdido.
Se ele ficou indiferente.
Sinceramente, não sei.
Talvez tenha ficado indiferente mesmo.

O que me deixa perplexa é a covardia desses homens. Eles chegam, conquistam (me conquistar deu trabalho) e  fazem uma zona na vida da gente.

Eu tenho respeito por aqueles que são livres e não escondem. Aqueles que só querem se divertir e não tentam enganar ninguém. Eu gosto deles. Sabe porque? 
Porque eles jogam limpo!

Duas Caras

O melhor dessa história foi o final...

Eu estava em um ambiente novo de trabalho, no meu cargo, eu tinha que cobrar informações de setores diversos e uma determinada pessoa, facilitou bastante meu trabalho, ele foi bastante prestativo, e um dia, saindo tarde do expediente, me ofereceu uma carona.

Ele foi me cantando muito sutilmente durante todo o dia e no caminho para a minha casa, cheguei a pensar que ele não iria me chamar para tomar uma cerveja. Era sexta-feira! Fiquei quase indignada. Até que, na curva antes do meu prédio, ele falou:
-Nossa! Fui tão indelicado! Nem perguntei se você queria tomar alguma coisa, se estava com fome ou não... quer fazer alguma coisa?
-Mas nós já estamos do lado da minha casa!
-É, eu devia ter perguntado antes... mas você quem sabe...
...
-Tá bom, vamos

Fomos jantar, conversamos muito, sobre vários assuntos. O papo tava MUITO bom, então entramos no assunto sobre assédio no ambiente de trabalho (que era onde ele queria chegar).

Eu não me importo do homem ser galinha, dar em cima de todas, nada disso, o que eu não posso suportar é homem que se finge de santo!
Mas o que agravou o fato foi que eu caí na conversa dele...

Ele me contou da ex-namorada, falou que ela era muito ciumenta, que tinha acabado o namoro há pouco tempo. Começamos a falar sobre isso e então ele me disse que queria me dizer essas coisas porque caso ela ligasse, ele não queria que houvesse maus entendidos. 

E eu achei tudo lindo. 
Deve ter um atestado de idiota estampado em minha testa.

Ele foi fofo, foi delicado ao se aproximar, ao falar no assunto. Gostei da abordagem dele. Mas quando ele me beijou, eu senti que algo estava fora do contexto. 

Toda aquela delicadeza foi por água a baixo e parecia que ele ia me engolir ali na mesa mesmo. O beijo não era ruim, mas eram selvagens demais para serem os primeiros.

Depois disso, eu resisti um pouco, mas acabei indo pro motel com ele.

Decepcionante.
Totalmente decepcionante. Em absolutamente TUDO.

Passou o final de semana, nenhuma ligação. Chegou segunda-feira, encontrei um momento que poderia falar com ele a sós.

- Minha ex me ligou no final de semana, disse que está grávida.
(wow)
- Não sei se eu lhe dou meus parabéns ou meus pêsames.
Eu disse que com bebê ou sem bebê ele ainda estava muito ligado a ela (eu realmente tinha acreditado em tudo) e que por isso eu não iria ficar com ele mesmo que fosse alarme falso, etc.

Cheguei em casa e tentei falar com ele no celular. Ele não atendeu (e até hoje me pergunto se o número que ele me deu estava correto). Mandei uma mensagem, não querendo voltar atrás no que tinha dito, mas de apoio.
Nada.

Passou-se algum tempo.
Conversa entre mulheres no escritório, óbviamente falando de homem, reparei que ninguém falava nesse específico, quando falei no nome dele, elas torceram a cara e falaram:
- Ah não! Ele é MUITO convencido. Nojento. Narcisista demais.

Então minha ficha finalmente terminou de cair.

E a minha ira foi despertada.

Eu descobri quem era a ex-namorada dele e o desmoralizei contando coisas que haviam me contado (com o cuidade de nunca revelar o nome de ninguém, nem de falar na possível gravidez que a essa altura, eu já duvidava que fosse real). O desmoralizei publicamente também. Não sei a extensão do dano que eu causei, não havia como saber. Mas eu simplesmente não podia deixá-lo sair impune dessa história.

Acredito que parte do que ele me contou sobre ela era verdade. Descobrindo quem era, vi que era uma mulher bonita, inteligente, com um bom futuro pela frente e talvez ainda arrastando algum sentimento por esse verme. 

Talvez eu tenha sido agressiva por demais com ela, talvez eu tenha perdido a conta do peso das minhas palavras. Mas ainda sim eu acredito que o resultado final tenha sido bom para ela. Pelo menos assim eu espero.

Devaneios

Minha vida amorosa sempre foi uma explosão, um atropelo. Poucos foram os meses que eu consegui me concentrar em mim mesma. Talvez fosse bom eu ter mais algum tempo assim... mas é tão difícil!!

Eu me vejo emendando uma história em outra...

Fora o meu primeiro namoro, todos os outros começaram do nada e terminaram do nada. É quase como se você deixasse um estranho entrar na sua casa, mexer nas suas panelas, no seu guarda-roupa, por alguns dias achar aquilo lindo, até que você se toca de que aquilo não é legal, se irrita e põe a pessoa pra fora. 

E ao mesmo tempo. essa pessoa entra e você remexe nos bolsos dela, revira a vida dela pelo avesso, acha que pode dar pitaco em tudo, até que a pessoa se cansa e vai embora.

Nenhum dos dois aguenta por muito tempo.

Ultimamente tenho aprendido muitas coisas sobre mim mesma. Acho que estou num processo de mudança de padrões. Tenho que acreditar que sim. Aventuras são boas, mas quando viram rotina, é doença. E ficar doente muito tempo, cansa.

Voltando à atividade

Fui deixando o tempo passar pra que os acontecimentos não ficassem simultâneos com as postagens, pois vocês sabem como é, se alguém liga o nome a pessoa, já era, não é mesmo?

Minhas aventuras com o meu adorável desconhecido, O Monumento, acabaram. Eu já estava cansando e surgiu outra pessoa também. Não iria dispensá-lo simplesmente pelo fato de não ser mais novidade, um homem com aquele desempenho é coisa raríssima. "Terminamos" bem, ele entendeu e me deixou à vontade de procurá-lo quando quisesse.

Quanto ao outro, não deu nada certo. Eu estava querendo algo mais sólido. Temos amigos em comum. ficamos juntos na frente de vários deles, saímos com um casal de amigos dele nas primeiras vezes e (pasmem!) só chegamos aos finalmente na 3a ou 4a vez que saímos.

Ele foi super carinhoso, um fofo. Mas, de repente, sumiu. Eu não tava cobrando nada e nem dá pra dizer que o sexo não foi bom porque homem não pode fingir esse tipo de coisa, quanto mais, mais de uma vez.

Quando eu comentei finalmente que ele não estava atendendo minhas espectativas, ele continuou sendo um amor, mas acabou aí. Acho que eu fui muito incisiva e muito prematura em querer fazer parte da vida dele, pois ele abriu os problemas dele para mim.

Mas não deu nem tempo de me envolver de verdade, pois outro já estava surgindo na história. Outro completamente diferente desse e muito mais compatível com a minha personalidade, eu acho. 

Mas essa história fica pra depois. Ainda não é a hora de narrá-la.

Fruto Proibido

Após bastante tempo sem postar, aqui vamos nós de novo continuando as histórias mais antigas

Nessa história mais do que nas outras, não existe nenhuma alma imaculada. Mas colocando na balança, a parte mais podre eu continuo a ter certeza de que foi a minha.



Ele saía com uma amiga minha que, por sua vez, era noiva. Apesar de frequentarmos a mesma academia, só o conheci por intermédio dessa amiga.

Eu ainda estava namorando.

Ele morava em um local de caminho totalmente oposto a minha casa, mas resolveu começar a me dar carona. Era o tipo de homem que eu não achava muito atraente, mas que tinha a famosa "pegada", tinha seu charme e passava horas conversando com qualquer pessoa. Papo agradável, sorriso fácil. A sua companhia era gostosa.

Era a segunda ou terceira vez que ele me deu carona. Quando fui me despedir, ele me segurou e me deu um beijo. Eu me senti muito mal. Tinha consciência de que não estava só traindo meu namorado (certo, não era a primeira nem a segunda vez), como estava traindo minha amiga. Aquilo sim me deixou arrasada.

Jurei que nunca mais ia acontecer isso e o proibí ele de me levar em casa. Conversávamos bastante sempre que nos encontrávamos. Um dia, eu tinha saído com um cara e ficamos somente nos beijos e amassos, o que tinha me deixado desesperada (e frustrada). Encontrei ele na academia e senti necessidade de desabafar. Ele logo se prontificou a resolver o meu "problema" se eu deixasse. Insistiu para que eu fosse para a casa dele. Eu recusei. Ele insistiu mais, mudei de assunto, ele insistiu de novo. Quando eu ja estava me dando por vencida e quase cedendo, uma das nossas amigas chegou. Eu dei graças a Deus. Mas ele conseguiu uma brecha, insistiu de novo e eu finalmente cedi.

Foi a primeira vez que não deu certo. Eu já sabia desse problema dele com relação à espectativa. Ele não funcionava sob pressão.
Resumo: continuei frustrada.

Passou-se algum tempo e veio o carnaval. Eu já não estava namorando mais.

Estávamos eu, ele e mais duas outras amigas e eu tinha bebido muito. Quando eu bebo eu fico enlouquecida (sexualmente falando mesmo, não consigo me controlar).
Ele ficou cuidando de mim e se comprometeu em me levar pra casa. Mas claro, não sem antes parar numa rua deserta (absurdamente perigoso).

Não foi nada de espetacular nem memorável.

Continuamos nos falando como se nada tivesse acontecido quando estávamos na frente das outras meninas. Eu sempre me sentindo muito mal com a situação e morrendo de medo de descobrirem.

Até que ela descobriu.

Não teve barraco, nem gritaria, nem nada. Ele mentiu para ela dizendo que quando ele me beijou a primeira vez, queria ter contado, mas eu não deixei. Ela acreditou nisso. Conversamos bastante. Eu contei a verdade, mas acredito que se eu estivesse no lugar dela, também não iria querer me ver nunca mais e não acreditaria mais em ninguém.

Eu estava no ápice do descontrole emocional quando tudo aconteceu. Não justifica meus atos. Nada justifica, mas talvez explique.

O Monumento - Continuação

Há um mês estou saindo com o monumento que me pediu o telefone na rua. Ele é lindo, o corpo é indescritivelmente perfeito. O sexo, inenarrável. Não é brilhante, mas é inteligente. É criativo. É carinhoso. Resumindo: Ele beira a perfeição.

Só que existem alguns problemas: ele é lindo, o corpo é indescritivelmente perfeito. O sexo, inenarrável. Não é brilhante, mas é inteligente. É criativo. É carinhoso. Resumindo: Ele beira a perfeição.

Quando estou com ele, ele me faz sentir a única mulher na vida dele atualmente.
Quando estamos separados, eu desconfiômetro não pára de apitar.

Minhas amigas me dizem para viver o momento. E eu estou lutando com todas as minhas forças para não me deixar envolver demais.

Freud explica??.. um dia quem sabe...

Sempre me senti diferente. Tive uma boa infância, meus pais puderam me proporcionar muitas coisas boas antes da separação, que ocorreu quando eu estava entrando na puberdade. Minha família nunca foi muito preocupada com cultura. Não posso dizer que eram completamente alheios a ela, mas sinto que me faltou uma formação cultural mais forte. Porém nada que me aleijasse intelectualmente ou que eu não pudesse recuperar (e ainda estou recuperando) mais tarde.

Os dois homens mais importantes da minha formação e vida foram: meu avô materno e meu pai. Meu avô paterno é um cara casado com a minha avó e que está lá quando eu vou visitá-la. Acho que essa é a melhor descrição dele. Normalmente quando ele liga pra mim, é porque ligou errado.

Minha mãe conta que meu avô (pai dela) batia na minha avó. Eles se separaram quando a minha mãe era criança ainda e minha avó não só proibia minha mãe de ver o próprio pai como dizia que ele iria abusar dela. Não preciso nem fazer menção sobre as seqüelas irreparáveis que esse tipo de atitude teve na formação da minha mãe.

Ela só reatou o contato com o pai quando completou a maioridade
.
Eu não conheci o "lado negro" do meu avô. Ele foi o avô perfeito. Daqueles que são intitulados "o melhor avô do mundo". Ele era casado. Casou-se com essa mulher quando se separou da minha avó e ela foi a minha 3a avó.

Eles eram muito pobres. Eu só ganhei um brinquedo deles quando pedi, e só pedi porque não tinha noção de que eles não podiam comprar, mas mesmo assim eles me deram. Embora eu nunca tenha precisado de presentes para amá-los. Acho que o meu amor por eles foi um dos mais puros que eu já tive na vida. Gostaria de ter tido mais tempo com ele.

Quando eu estava com 12 anos ele faleceu após uma cirurgia para retirada de um órgão canceroso. Demorei alguns anos para assimilar essa perda e acredito que até hoje eu ainda não tenha assimilado por completo.